Pedido de impeachment de Dilma 'não deve assustar', diz Jatene

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O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), conversou com a imprensa nesta quinta-feira (3) durante um evento natalino na Estação das Docas, em Belém, e abordou o pedido de abertura impeachment da presidente Dilma Rousseff, acatado na última quarta (2) pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundo Jatene, os brasileiros não devem temer a tramitação do processos, que é determinada pela constituição, mas é preciso que a população reflita sobre o papel da política na sociedade.

PROCESSO DE IMPEACHMENT Presidente da Câmara anuncia abertura

“O processo em sí, se ele segue os ritos que a constituição define, não deve assustar ninguém. Agora me preocupa é como a política deixou de ser um elemento para resolver problemas para ser um elemento que cria problemas para a sociedade. Isso é uma coisa de doido, porque a política existe para resolver e não para criar problemas. Precisampos fazer um esforço coletivo para devolver o Brasil para os brasileiros, não de corporações, não de grupos”, disse o governador.

Apesar disso, Jatene acredita que a possibilidade do país ter um segundo presidente afastado em menos de 25 anos não deve ser comemorada. “Eu quero lamentar o fato do país ter chegado aonde chegou. Eu não consigo imaginar que alguém possa estar feliz com o Brasil que nós estamos vivendo. Seja de situação, seja de oposição, seja do partido A, seja do partido B, seja empresário, trabalhador, professor…   quem me disser que está feliz com este quadro eu te diria que tenho que lamentar a percepção”, afirmou.

“Eu tenho um desejo de que isto tudo que estamos vivendo, passando, nos sirva a refletir e nos repensarmos enquanto gente, enquanto povo. Nós tratamos a transgressão carinhosamente como jeitinho. O que que é o jeitinho brasileiro que muitos se vangloriam? É a transgressão, é o erro, é a violação da lei”, disse.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concede entrevista repercutindo a fala da presidente Dilma Rousseff após ele aceitar o pedido de processo de impeachment dela. Cunha afirmou que a presidente mentiu em seu discurso (Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), concede entrevista repercutindo a fala da presidente Dilma Rousseff após ele aceitar o pedido de processo de impeachment dela. Cunha afirmou que a presidente mentiu em seu discurso (Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados) Governador critica acordos políticos

Ainda de acordo com Jatene, o elemento mais preocupante do pedido de impeachment é o fato da política nacional ser regida por acordos entre parlamentares e o executivo. “Mais do que o fato em sí (do pedido de impeachment), o que me preocupa são alguns componentes que integram este processo todo. Um deles é este debate do troca-troca, ‘se eu for tu vais também, eu não vou sozinho’. É esta coisa que eu acho dramática. Não é o fato de que, se alguém cometeu um erro, tem que ser apurado e pagar por esse erro. Ista eu acho que é uma coisa que deve ser tratada de forma normal pela sociedade. Os poderes da república assustam o povo inteiro, mas eu acho que (é preciso) tratar isto com a seriedade que a questão requer, sim. O que me preocupa, insisto, é você ver um cenário onde parece que as pessoas querem se livrar, transferir responsabilidade”, avalia.

GNEWS Dilma (Foto: GloboNews)
A presidente Dilma Rosseff negou ter praticado qualquer ato ilícito e disse estar indignada com a possibilidade do impeachment (Foto: GloboNews)

Crescimento negativo
O governador também aponta o partidarismo como um entrave em um momento em que o país precisa se recuperar de uma crise econômica, que prejudica principalmente os mais pobres, que estão no nível da subsistência. “A discussão no Brasil hoje é ‘como é que salva Fulano, como é que salva Beltrano, como é que salva o partido A, como é que salva o partido B’, e ninguém discute como é que salva o Brasil. Estamos em um ano que perdemos, com crescimento negativo, e aí vamos discutir aumento real de salário com crescimento negativo do PIB. Como é que estas coisas acontecem? Isto não está certo. Já todo mundo está esperando que em 2016 teremos crescimento negativo.  Estamos adianto para 2017 a recuperação da economia brasileira. Como economista eu sei o quanto isto já está custando e vai custar para a sociedade”, disse.

Para Jatene, o Brasil precisa criar condições para novos investimentos e consumo como uma forma de reverter o PIB negativo. “A perda da credibilidade faz com que você não tenha investimento, porque os investidores obviamente ficam todos retraídos. Mas também a falta de credibilidade faz com que o consumo também recue, porque as pessoas começam a ter uma dúvida enorme sobre o dia seguinte.Elas não sabem o que vai acontecer. Na hora que tu tens queda de consumo e investimento a condição do PIB voltar a crescer não existe. O manual mais simples de economia diz isso. Parece uma coisa absolutamente banal, mas sem investimento o crescimento não retorna”, conclui.

G1 – PA

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É jornalista e profissional de marketing. Bem antenado e com ampla experiência no jornalismo online e impresso. Tem atuado como gestor de mídias sociais e assessor de imprensa. Fera em produção de conteúdo para a web, ama cinema, literatura, cultura geek, fotojornalismo e design gráfico. Ama o que faz. Simples assim!