Mesmo sem industrialização do setor, Pará produziu 1.011.685 toneladas em 2014

As secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico (Sedeme), de Agricultura e Pesca (Sedap) e de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet) estão desenvolvendo um projeto para articular ações efetivas de estruturação e fortalecimento da cadeia produtiva do açaí, em parceria com o Sinqfarma, Sebrae Pará, Fiepa e Embrapa, entre outras instituições. O foco é a industrialização do segmento, que só no ano passado produziu 1.011.685 toneladas, a partir de uma política pública específica que estimule a ampliação do plantio, inovação e pesquisa.

‘’O governador Simão Jatene está decidido a criar uma política pública exclusiva para a cadeia produtiva do açaí, buscando ampliar a produção, seja do açaí de várzea como do irrigado, além de investir em pesquisa e tecnologia e indução e apoio à industrialização’’, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki, coordenador do trabalho, logo após a nova rodada de reuniões entre representantes do governo estadual, indústrias processadoras de açaí e instituições parcerias, realizada no último dia 4, da sede da Sedeme, em Belém.

Nesta primeira etapa de construção dos projetos, está sendo feito o nivelamento de informações sobre as cadeias produtivas. Em todo o Pará existem dez mil pontos de vendas (Foto: CRISTINO MARTINS / ARQUIVO AG. PARÁ)
Nesta primeira etapa de construção dos projetos, está sendo feito o nivelamento de informações sobre as cadeias produtivas. Em todo o Pará existem dez mil pontos de vendas (Foto: CRISTINO MARTINS / ARQUIVO AG. PARÁ)

O encontro ocorreu menos de um mês depois da criação dos quatro Grupos de Trabalho, instituídos para discutir e propor iniciativas práticas necessárias para estruturar a cadeia, aumentando a produção do fruto na várzea e em terra firme, com uso de tecnologia de irrigação, passando pela capacitação e treinamento, sobretudo de pequenos produtores, até o beneficiamento e comercialização do produto final, englobando nessa etapa pequenos, médios e grandes produtores. A proposta é multiplicar o projeto piloto, expandindo-o para outras fruticulturas e regiões do Estado.

“O Pará possui grande potencial de crescimento em muitas culturas. Podemos citar o cacau e o abacaxi, só para dar alguns exemplos. Por isso é necessário montar estratégias para estruturar estas cadeias’’, frisou Demachki, lembrando que além de fortalecer a cadeia do açaí, a ação estimula a economia regional, com o objetivo de gerar emprego e renda tanto para a população rural como urbana.

Maior produtor nacional do fruto, o Pará tem na lista de municípios campeões na geração do açaí Ponta de Pedras, Anajás e Afuá, seguidos por Igarapé-Miri, no Baixo Tocantins, e ainda Abaetetuba, Bujaru, Cametá e Limoeiro do Ajuru. Entre as proposições levantadas, até então, o destaque vai para o avanço da produção irrigada do açaí em terra firme, o que necessita de tecnologia, energia e melhoramento genético das sementes do fruto. Além disso, observou o titular da Sectet, Alex Fiúza, há a necessidade de redirecionar os editais tecnológicos para a industrialização da cadeia.

Fiúza mostrou preocupação com o mapeamento correto da cadeia, considerando a experiência do setor produtivo. “Vocês já perceberam o desafio que estamos enfrentando, agora, coletivamente, Estado integrado e o setor produtivo. O que nós fizermos aqui servirá de case para todas as cadeias produtivas. Estamos ensaiando um modelo de governança que não é simples. Ele vai ter de se integrar em nível macro e mínimo, com as percepções de quem produz e do setor acadêmico, com prioridades a serem atendidas’’, afirmou Fiúza.

Grupos de Trabalho

A Sedeme tem atuado como catalizadora das ações, tanto é que profissionais da Secretaria participam dos quatro grupos de trabalho (GT), compostos ainda por outros órgãos estaduais ligados ao segmento, a exemplo da Sedap, Sectet, Fapespa, Sinqfarma, Sebrae Pará, Fiepa e UFPA, entre outros. Nesta primeira etapa de construção dos projetos, está sendo feito o nivelamento de informações sobre as cadeias produtivas, diagnosticando-se os gargalos e potencialidades de cada uma delas, para que, de acordo com as necessidades específicas, sejam direcionadas as ações estratégicas.

Valéria Nascimento
Agência Pará de Notícias