Prejuízo calculado no Pará é de R$ 7,46 a cada R$ 100,00 gastos na internet

Prejuízo calculado no Estado é o terceiro maior do País e subiu 8%

As fraudes têm aumentado no comércio pela internet no Estado do Pará. As ações de fraudadores contra consumidores paraenses no ano passado aumentaram 8,11% em relação a 2016. Essa alta manteve o Pará nas primeiras posições do ranking dos principais alvos de fraudes online. Segundo o Mapa da Fraude 2018, repassado com exclusividade a O LIBERAL pela ClearSale, empresa líder em soluções antifraude no País, o Estado possui o terceiro maior índice de tentativas de fraude dentre todos os Estados brasileiros.

Segundo o levantamento, na soma de todas as tentativas de fraudes, o prejuízo calculado no Pará é de R$ 7,46 a cada R$ 100,00 gastos na internet. No ano anterior, o cálculo apontava uma perda de R$ 6,90. O valor é quase o dobro do prejuízo nacional: R$ 3,42. Valores maiores só foram identificados em Tocantins (R$ 9,50) e no Amazonas (R$ 9,13). Para efeito de comparação, na outra ponta, despontam como os mais seguros para as compras online os três Estados sulistas: Rio Grande do Sul, com apenas R$ 1,65 fraudado a cada R$ 100,00; Santa Catarina (R$ 2,10) e Paraná (R$ 2,27).

Essas são praticamente as mesmas posições do ano retrasado. A única alteração foi no segundo lugar entre os Estados mais vulneráveis. Em 2016, o ranking apontava no topo o Tocantins (R$ 9,10), Maranhão (R$ 7,50) e Pará (R$ 6,90); e, no fim da lista, Rio Grande do Sul (R$ 1,30), Santa Catarina (R$ 2,00) e Paraná (R$ 2,00). O indicador nacional era 14% mais baixo: R$ 3,00.

Para Omar Jarouche, gerente de Inteligência Estatística da ClearSale, o aumento nas tentativas de fraude não possui um motivo específico. “Os fraudadores são muito criativos e criam novas formas de fraudar todos os dias. As compras pela internet são cada vez mais comuns e os fraudadores estão cientes disso. No ano de 2017, um número maior de vazamento de dados foi identificado, mostrando que os fraudadores estão encontrando novas formas de cometer fraudes”, diz o executivo.

Sobre a incidência de estados nortistas e nordestinos no topo desse ranking, Jarouche levanta a hipótese de que os fraudadores podem ter percebido uma maior vulnerabilidade dos usuários dessas regiões quanto ao uso do cartão de crédito. “Quando a gente está falando desse tipo de fraude, é sempre alguém usando um cartão de crédito de um terceiro para fazer uma compra na internet. Com o aumento do crédito nos últimos anos, os bancos estão emitindo muito mais cartões, o que era muito mais restrito no passado. Será que, com essa popularização do cartão, as pessoas não começaram a usar menos instruídas sobre esse meio de pagamento?”, questiona o executivo, que recomenda cuidado com os dados do cartão.

“Para fazer uma compra na internet não é necessário o cartão físico, basta uma foto do cartão ou anotar os dados dele para um terceiro poder usar. Então, pode estar acontecendo das pessoas estarem deixando as informações do cartão mais vulneráveis. Isso também acontece pelo acesso a sites, ou ao clicar uma mensagem com um link de uma loja falsa. São hipóteses, mas ao que parece, os fraudadores identificaram que essas regiões caem com mais facilidade nesses golpes.”

O setor de bebidas aparece pela primeira vez como um dos segmentos mais visados pelos fraudadores – em 3º lugar, com valor médio de R$ 6,54 a cada R$ 100 em compra no comércio eletrônico. Isso pode ocorrer por conta do aumento de bloqueio de fraudes nos outros setores, o que consequentemente faz o fraudador buscar novas alternativas de produtos com um alto valor e fácil revenda. O setor de celulares (R$ 9,38) e de vídeo games (R$ 8,63) estão, respectivamente, em primeiro e segundo lugar entre as tentativas de fraude.

“O Mapa da Fraude nos permite entender quais os momentos em que os fraudadores agem e quais são os produtos que procuram. Um dos grandes desafios do lojista é identificar e diminuir as fraudes impulsionando as boas compras. E o consumidor pode usar das novas tecnologias do mercado para manter seus dados protegidos”, complementa.

Mesmo que a empresa do cartão de crédito devolva o valor gasto pelos fraudadores, as vítimas podem ter vários tipos de problemas. O levantamento destaca que numa época onde a transformação digital e a modernização tecnológica das empresas seguem em constante crescimento, um ambiente de confiança entre lojistas e consumidores é necessário para que as transações não sejam comprometidas. “O ideal é a criação de um relacionamento sem fricção, e para que isso aconteça, a segurança digital é fundamental em todos os processos”, diz.

O Liberal

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