Atual ministro reclamou quando a Odebrecht repassou só R$ 1,5 milhão.

Foi divulgado pelo canal Globo News, neste sábado 15, o vídeo da delação do ex-diretor superintendente da Odebrecht Ambiental, Mário Amaro, no qual ele revela que o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, pediu R$ 30 milhões para a sua campanha ao governo do Pará, em 2014, mas que conseguiu R$ 1,5 milhão em dinheiro não contabilizado, ou seja, propina.

A mesma denúncia confirmada agora havia sido feita tambem pelo presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, outro delator da Odebrecht, que confirmou o pedido feito por Helder Barbalho, um dos oito ministros do governo de Michel Temer que entrou na chamada Lista de Fachin, a relação de pedidos de inquérito feita pelo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações de executivos da Odebrecht, a maior empreiteira do Petrolão.

No vídeo revelado neste final de semana, Mário Amaro, que foi procurado diretamente por Helder Barbalho antes da eleição de 2014, juntamente com o também candidato ao senado Paulo Rocha (PT) e o então candidato à Prefeitura de Marabá, João Salame, em um hotel em Brasília, dá mais detalhes do pedido de caixa dois para a disputa eleitoral, na qual saiu derrotado por Simão Jatene.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em um trecho do vídeo, Mário Amaro revela que se surpreendeu com o pedido de R$ 30 milhões para a campanha eleitoral, pelo alto valor. “Falamos que a gente tinha como apoiar com no máximo R$ 1,5 milhão. Ele chorou, reclamou, mas falou: tá tudo bem, vamos adiante. Aí expliquei como é que funcionava a questão e esse pagamento foi feito em três parcelas”, revelou.

Ainda de acordo com Mário Amaro, para o pagamento de cada uma dessas parcelas, ele mesmo se dirigiu à casa de Helder Barbalho em Brasília, para informar o local, a data e a senha para a retirada do dinheiro, que era feita sempre em São Paulo. “Acredito que ele repassava isso para alguém em São Paulo, que fazia a retirada, porque o hiato entre eu passar a informação e a entrega… Pelo menos uma das entregas eu me lembro que foi no mesmo dia”, completou.

Na semana passada, já havia sido revelada, com riqueza de detalhes, a delação do ex-executivo Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht ambiental, à força-tarefa da Operação Lava Jato, formada por delegados federais e procuradores da República, sobre o pagamento de recursos não contabilizados na campanha eleitoral de 2014 ao atual ministro Helder Barbalho.

Fernando Reis, em delação premiada homologada pelo Ministério Público Federal, contou passo a passo como saíram dos cofres da Odebrecht R$ 1,5 milhão para irrigar a rica e derrotada campanha de Helder Barbalho ao governo do Pará em 2014, quando o filho do senador Jader Barbalho perdeu para Simão Jatene, do PSDB, no segundo turno eleitoral, por mais de 120 mil votos de diferença.

À Polícia Federal e aos procuradores do MPF, Fernando Reis confessou que a contrapartida da Odebrecht aos R$ 1,5 milhão repassados pelo caixa dois da empresa a Helder Barbalho seria maior participação da Odebrecht em serviços de água e esgoto no Pará, que tinha o controle da empresa estatal paraense Cosanpa , numa área que a Odebrecht Ambiental tinha interesse em aumentar sua participação nas regiões sul e sudeste do Estado.

Ao canal Globo News, Helder Barbalho negou que tenha cometido qualquer ilegalidade, e disse que se reuniu com os representantes da empresa para receber doações legais, que foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará.

O Liberal

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