Ministério aponta seis ocorrências, que podem estar ligadas ao vírus zika

O número de casos suspeitos de microcefalia relacionada ao Zika Vírus no Pará subiu de quatro para seis ao se comparar o informe divulgado no dia 5 e o de ontem. O Ministério da Saúde informa que quatro municípios do Pará estão com casos suspeitos de microcefalia. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) não informou quais são esses municípios, sob a alegação de que os dados estão sendo levantados e serão divulgados hoje (14).

O informe do Ministério da Saúde dá conta de 3.530 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao Zika no País. Os casos suspeitos em recém-nascidos são computados desde o início das investigações, em 22 outubro de 2015, até 9 de janeiro deste ano. Eles ocorreram em 724 municípios de 21 unidades da Federação. O Ministério da Saúde investiga 46 óbitos de bebês com microcefalia, possivelmente relacionados ao Zika vírus. Todos os casos foram no Nordeste.

Pernambuco foi o primeiro a identificar aumento de microcefalia e detém o maior número de casos suspeitos (1.236), 35% do total em todo o País, seguido pela Paraíba (569), Bahia (450), Ceará (192), Rio Grande do Norte (181), Sergipe (155), Alagoas (149), Mato Grosso (129) e Rio de Janeiro (122).

O boletim também traz os resultados da investigação laboratorial de quatro casos de óbitos, no Rio Grande do Norte, com malformação congênita, cuja relação com o Zika vírus foi confirmada. Esses casos estavam sendo investigados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que enviou os resultados ao Ministério da Saúde.

Dois dos casos são abortamentos e dois recém-nascidos a termo (37 a 42 semanas de gestação) que faleceram  nas primeiras 24 horas de vida. As amostras foram positivas no teste laboratorial de PCR para vírus Zika. Além disso, as amostras de tecido de ambos os recém-nascidos foram positivas no teste de imunohistoquímica, realizada pelo CDC.

Segundo as investigações clínico-epidemiológicas realizadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), as quatro gestantes apresentaram febre e exantemas durante e gestação. Esses resultados somam-se às demais evidências obtidas em 2015 e reforçam a hipótese de relação entre a infecção pelo vírus Zika e a ocorrência de microcefalia e outras malformações congênitas. No entanto, o Ministério reforça a necessidade de prosseguimento das investigações e pesquisas da alteração do número de microcefalias e outras malformações em decorrência de processos infecciosos.

Controle

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que tem intensificado ações para o controle do vírus Zika no Pará, em parceria com os municípios. A Sespa informou ainda que orienta os gestores e profissionais de Saúde a notificar por meio de formulário eletrônico os casos de microcefalia. Também é orientado o reforço às ações de prevenção e controle vetorial em áreas urbanas e peri-urbanas, conforme as Diretrizes Nacionais do Programa Nacional de Controle da Dengue.

A Sespa orienta que as gestantes mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal e evitem bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de drogas, não usem medicamentos sem orientação médica e evitem contato com pessoas com febre ou infecções. A vulnerabilidade do feto é maior no primeiro trimestre de gestação.

A Sespa informou que a microcefalia não é um agravo novo. “Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é importante para identificar a associação com o zika, e imediatamente tomarem-se as medidas de controle”, afirma a nota. Em caso de dúvidas sobre a doença ou qualquer outra orientação, basta entrar em contato com a Coordenação Estadual de Controle da Dengue, Zica e Chikungunya pelo telefone (91) 4006-4219 ou e-mail denguesespa@gmail.com.

Orientação

O Ministério da Saúde lançou ontem uma orientação para a área médica destinada à estimulação precoce de crianças entre zero a três anos com microcefalia. Segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, o documento unifica o tratamento dado para reduzir ao máximo as sequelas da malformação. Os pais serão treinados para dar estímulos adequados aos filhos.

O documento foi elaborado ante o aumento do número de crianças com a malformação, em decorrência da chegada do vírus Zika ao Brasil. Outros protocolos de atenção à criança com retardo no desenvolvimento existem no Brasil, porém, este é específico para bebês com microcefalia.

O ideal é começar o acompanhamento logo após o nascimento da criança, mas, de acordo com Beltrame, se todas forem atendidas com até um mês de vida o serviço será satisfatório. “De zero a três anos, a criança tem uma janela de oportunidades em que a estimulação precoce pode mudar o curso do desenvolvimento ou da consolidação de um eventual falha no desenvolvimento. Esse é o momento essencial em que a maturação neurológica do recém-nascido até os três anos é extremamente importante”, explicou o médico.

Segundo o Ministério da Saúde, em todo o país, há mais de 1.500 centros especializados em reabilitação, locais onde as crianças terão tratamento especializado. O secretário disse que o conteúdo das normas é simples e conta com o apoio da família da criança, que deverá fazer estímulos em casa.

O Liberal

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É jornalista e profissional de marketing. Bem antenado e com ampla experiência no jornalismo online e impresso. Tem atuado como gestor de mídias sociais e assessor de imprensa. Fera em produção de conteúdo para a web, ama cinema, literatura, cultura geek, fotojornalismo e design gráfico. Ama o que faz. Simples assim!